Concordância Verbal: Sujeito Composto, Partitivo e Coletivo

A concordância verbal é a relação entre o verbo e o sujeito. Na norma-padrão, o verbo deve ajustar-se em número e pessoa ao núcleo do sujeito. Em concursos, porém, algumas estruturas permitem mais de uma possibilidade ou exigem atenção especial, principalmente quando aparecem sujeitos compostos, expressões partitivas e substantivos coletivos.

1. Identificação do sujeito

Antes de escolher a forma verbal, localize o sujeito e identifique seu núcleo. Em “a maioria dos candidatos compareceu”, o núcleo é maioria, e não candidatos. Em “os resultados da pesquisa foram divulgados”, o núcleo é resultados. Termos preposicionados, adjuntos e complementos podem estar no plural sem determinar automaticamente a forma do verbo.

2. Sujeito composto

O sujeito composto possui dois ou mais núcleos. Quando aparece antes do verbo, a concordância normalmente ocorre no plural: “a lei e o edital definem as regras”. Se os núcleos forem de pessoas gramaticais diferentes, prevalece a primeira pessoa sobre a segunda e a terceira, e a segunda sobre a terceira: “eu, tu e ele estudaremos”; “tu e ele estudareis”.

Quando o sujeito composto aparece depois do verbo, é possível encontrar o verbo no plural ou em concordância com o núcleo mais próximo, especialmente quando a estrutura permite essa leitura: “chegaram o professor e os alunos” e “chegou o professor e os alunos”. Em provas, é necessário observar a posição do sujeito e a clareza da construção.

Com núcleos ligados por “ou”, a concordância depende do sentido. Se houver exclusão, o verbo tende a concordar com o núcleo mais próximo ou permanecer no singular: “Pedro ou João será o representante”. Se houver inclusão ou soma de possibilidades, pode aparecer o plural: “a razão ou as circunstâncias determinaram a decisão”.

3. Expressões partitivas

Expressões como a maioria de, a maior parte de, grande parte de, metade de e uma parcela de admitem duas concordâncias. O verbo pode concordar com o núcleo partitivo, ficando no singular, ou com o termo plural introduzido por “de”: “a maioria dos candidatos foi aprovada” e “a maioria dos candidatos foram aprovados”. Em textos formais, ambas as possibilidades são frequentemente reconhecidas, desde que a construção mantenha clareza.

O mesmo ocorre com “grande parte dos documentos foi analisada” e “grande parte dos documentos foram analisados”. A escolha pode depender do destaque pretendido: o singular enfatiza o conjunto; o plural destaca os indivíduos ou elementos que o compõem.

4. Substantivos coletivos

Substantivos coletivos designam um conjunto no singular: grupo, equipe, turma, comissão, multidão, rebanho e elenco. Quando usados sem especificação plural, o verbo fica no singular: “a comissão aprovou o parecer”. Se o coletivo vier acompanhado de termo plural, pode ocorrer concordância com o coletivo ou com o termo especificador: “a equipe de servidores participou” e, em determinados contextos, “a equipe de servidores participaram”. A concordância no singular costuma ser a opção mais segura quando o núcleo coletivo está claramente destacado.

Expressões como “um bando de pessoas”, “um conjunto de medidas” e “uma série de questões” também apresentam núcleo singular. Assim, são adequadas formas como “um conjunto de medidas foi adotado” e “uma série de questões foi elaborada”. O plural pode ser admitido em situações de ênfase nos elementos, mas deve ser avaliado conforme o padrão exigido pela banca.

5. Casos importantes

Com “mais de um”, o verbo geralmente fica no singular: “mais de um candidato apresentou recurso”. O plural pode ocorrer quando a expressão indicar reciprocidade ou quando houver repetição: “mais de um candidato se cumprimentaram” e “mais de um servidor, mais de um gestor participaram”.

Com porcentagens, a concordância pode seguir o número percentual ou o termo especificador: “dez por cento dos alunos faltaram” e “dez por cento da turma faltou”. Em construções com frações, o verbo costuma concordar com o numerador: “dois terços dos inscritos foram aprovados”; “um terço dos inscritos foi aprovado”.

6. Estratégia para concursos

Leia a oração, encontre o verbo e faça a pergunta “quem é que” ou “o que é que” realiza a ação. Depois identifique o núcleo do sujeito, observe conectivos como “e” e “ou” e verifique se há expressões partitivas, coletivas, percentuais ou fracionárias. Não escolha o verbo apenas pelo substantivo mais próximo.

Conclusão

A concordância verbal exige análise da estrutura completa da oração. Sujeitos compostos tendem ao plural, mas podem apresentar regras específicas conforme a posição e os conectivos. Expressões partitivas, coletivos, porcentagens e frações permitem concordâncias que devem ser compreendidas pelo contexto. O domínio desses casos aumenta a segurança em questões de correção gramatical e reescrita.