Crase: Regras Obrigatórias, Proibições e Casos Facultativos

A crase é a fusão da preposição a com o artigo definido feminino a ou com os pronomes demonstrativos iniciados por a. O acento grave indica essa fusão: à, às, àquele, àquela e àquilo. Em concursos, o tema costuma ser cobrado por meio de frases para completar, identificar erros ou justificar a presença do acento.

1. Quando ocorre a crase

Para haver crase, são necessários dois elementos: um termo anterior que exija a preposição a e um termo posterior que aceite o artigo feminino a ou as. Em “o candidato foi à prova”, o verbo ir exige a preposição a, e prova admite o artigo a. A fusão resulta em à.

Um teste bastante útil é substituir o termo feminino por um masculino. Se aparecer “ao”, haverá crase no feminino: “foi à reunião” corresponde a “foi ao encontro”. Esse procedimento funciona para muitos casos, mas deve ser aplicado com atenção ao contexto.

2. Casos obrigatórios

Locuções femininas

Usa-se crase em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas: à tarde, à noite, às vezes, à direita, à medida que, à procura de, à frente de e à custa de. Essas expressões são recorrentes em provas.

Indicação de horas

Em horários determinados, emprega-se crase: “a prova começará às oito horas” e “chegaremos à uma hora”. Não há crase quando o a é apenas preposição diante de expressão sem artigo ou quando a referência é indeterminada.

Pronomes demonstrativos

Ocorre crase antes de aquele, aquela e aquilo quando o termo regente exige a preposição: “referiu-se àquele assunto”, “obedecemos àquela regra” e “não dei importância àquilo”.

Nomes de lugares

Emprega-se crase diante de nomes femininos de lugares que aceitam artigo: “vou à Bahia”, “retornei à França”. O teste tradicional é “volto da”: se dizemos “volto da Bahia”, usa-se “vou à Bahia”; se dizemos “volto de Brasília”, a forma é “vou a Brasília”.

3. Casos proibidos

Não se usa crase antes de palavras masculinas: “a prazo”, “a cavalo”, “a bordo”. Também não se usa antes de verbos: “começou a estudar”, nem antes de pronomes pessoais, de tratamento sem artigo e de pronomes indefinidos, em regra.

Não ocorre crase entre palavras repetidas: “cara a cara”, “frente a frente”, “gota a gota”. Também é proibida diante de artigo indefinido: “referiu-se a uma questão”. A presença de “uma” impede a fusão com o artigo definido.

4. Casos facultativos

A crase pode ser facultativa antes de nomes próprios femininos, desde que o uso do artigo seja opcional: “entreguei o documento a Maria” ou “à Maria”. Também pode ser facultativa antes de pronomes possessivos femininos no singular: “refiro-me a sua proposta” ou “à sua proposta”.

Outro caso ocorre depois da preposição até: “fui até a escola” e “fui até à escola”. A escolha depende da estrutura adotada, mas a prova pode considerar as duas formas corretas quando o contexto permitir.

5. Crase e regência

A crase depende da regência. Verbos como obedecer, assistir, referir-se e aspirar, em certos sentidos, exigem a preposição a. Assim, temos “obedeceu à determinação”, “assistiu à sessão”, “referiu-se à decisão” e “aspirava à carreira”. Se o termo seguinte for masculino ou não aceitar artigo, a crase não aparecerá.

6. Como resolver questões

Substitua mentalmente o termo feminino por um masculino, verifique a regência do termo anterior e identifique se há artigo definido. Depois observe se a expressão é uma locução feminina, uma indicação de horário ou um nome de lugar. Não use a ideia de pausa ou de som aberto como justificativa: crase é fenômeno sintático, não simples questão de pronúncia.

Conclusão

O domínio da crase depende de três perguntas: o termo anterior exige a preposição a? O termo posterior aceita artigo feminino? A situação está entre os casos especiais de obrigatoriedade, proibição ou facultatividade? Com esse roteiro, o candidato reduz erros e consegue justificar a escolha com segurança.