A regência verbal é o estudo da relação entre o verbo e seus complementos, especialmente quanto à necessidade ou não de preposição. Em concursos públicos, o tema aparece em questões de correção gramatical, reescrita, substituição de termos e identificação de estruturas inadequadas. A principal dificuldade está no fato de alguns verbos admitirem mais de uma regência, com mudança de sentido ou de acordo com a norma considerada.
1. Conceito de regência verbal
O verbo pode ser intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto ou bitransitivo. O transitivo direto liga-se ao complemento sem preposição: “o candidato resolveu a questão”. O transitivo indireto exige preposição: “o candidato precisa de orientação”. O bitransitivo exige dois complementos: “o professor explicou a matéria aos alunos”.
A preposição não deve ser escolhida apenas pela intuição. Ela depende da regência consagrada para o verbo e do sentido pretendido. Em “assistir ao filme”, assistir significa ver e exige a preposição a na norma-padrão. Já em “assistir o paciente”, o verbo significa prestar assistência e pode ser transitivo direto.
2. Verbos frequentemente cobrados
Assistir
Com sentido de ver ou presenciar, assistir rege a preposição a: “assistimos à palestra”. Com sentido de prestar assistência, pode ser transitivo direto: “o médico assistiu o paciente”. No sentido de caber ou pertencer, também exige a: “assiste ao servidor o direito de recurso”.
Aspirar
Aspirar algo significa inalar ou sorver e é transitivo direto: “aspirou o perfume”. Aspirar a algo significa desejar ou pretender: “aspira ao cargo público”. A presença da preposição muda o sentido.
Visar
Visar algo, no sentido de pôr visto ou mirar, é geralmente transitivo direto: “visou o documento”. Visar a algo, com sentido de ter como objetivo, exige preposição: “a medida visa à melhoria do serviço”. Em provas, a construção “visa melhorar” pode aparecer como alternativa aceita em determinados padrões, mas a regência tradicional é importante para a análise.
Obedecer e desobedecer
Esses verbos são tradicionalmente transitivos indiretos e exigem a preposição a: “obedecer à lei”, “desobedecer às normas”. Como o complemento pode ser pessoa ou coisa, a preposição permanece.
Preferir
A construção padrão é “preferir uma coisa a outra”: “prefiro estudar a trabalhar”. Deve-se evitar “preferir mais”, “preferir antes” e estruturas como “prefiro mais este método do que aquele” em questões de norma-padrão. O verbo já contém ideia de preferência.
Informar, avisar e comunicar
Esses verbos admitem construções variadas. Pode-se informar algo a alguém, informar alguém de algo ou informar alguém sobre algo. Assim: “informei o resultado ao candidato” e “informei o candidato sobre o resultado”. A escolha deve preservar a estrutura sintática adequada.
3. Regência e pronomes
Os pronomes relativos exigem atenção. Em “o cargo a que aspiro”, a preposição a é exigida pelo verbo aspirar. Em “a regra de que necessitamos”, de é exigida por necessitar. Não se deve retirar a preposição apenas porque o pronome que aparece antes do verbo.
Com onde, deve-se indicar lugar. Em “a cidade onde nasci”, o verbo nascer relaciona-se diretamente ao local. Para ideias sem valor locativo, prefira “em que”, “no qual” ou construção equivalente. Já cujo expressa posse e pode aparecer acompanhado de preposição: “o tema sobre cujo conteúdo estudamos”.
4. Casos especiais
Alguns verbos mudam de sentido conforme a preposição. “Chegar a algum lugar” e “ir a algum lugar” são formas tradicionais, embora “chegar em” seja frequente na linguagem coloquial. “Morar em” e “residir em” exigem a preposição em. “Pagar algo a alguém” e “pagar alguém” podem ocorrer, mas a estrutura completa é “pagar a dívida ao credor”.
O verbo implicar, no sentido de acarretar, é normalmente transitivo direto: “a decisão implicou mudanças”. No sentido de antipatizar, rege com: “ele implica com o colega”. Já simpatizar e antipatizar exigem com: “simpatizou com a proposta”.
5. Estratégia de prova
Primeiro identifique o verbo principal e pergunte qual é o seu sentido. Depois localize o complemento e verifique se a preposição é exigida. Por fim, observe contrações como ao, à, do e no, pois elas podem revelar a regência e também influenciar o uso da crase.
Conclusão
Regência verbal exige estudo dos verbos em contexto. Memorizar listas ajuda, mas compreender a mudança de sentido e analisar os complementos torna a resolução mais segura. Em concursos, atenção especial deve ser dada a assistir, aspirar, visar, obedecer, preferir, informar, implicar e aos pronomes relativos.
